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sexta-feira, 10 de agosto de 2018

Debate dos presidenciáveis na Band teve vencedor?

“Ciro disse que tem orgulho de ter sido aliado e ministro do Lula. Meirelles disse que tem orgulho até hoje de ter sido aliado e presidente do banco central no governo Lula. Bolsonaro disse que votou no Lula. Boulos fez uma homenagem ao Lula e disse que ele deveria tá ali. Alckmin tem medo do Lula. Álvaro Dias falou que o Lula fez um ótimo governo. Lula venceu o debate!”
O raciocínio lógico acima é do advogado alagoano Adriano Argolo.
Já o jornalista Ediberto Ticianeli diz que o debate serviu para perceber o seguinte:
1 – Bolsonaro não está sozinho na tarefa de ridicularizar os militares, criando o falso estereótipo de que são ignorantes. Teve como companheiro o desconhecido cabo Daciolo;
2 – Meireles é claramente o candidato dos banqueiros, contando para isso com a experiência de ter presidido um país chamado Banco Central, bem longe do povo e dos governos: um Alice no País dos Outros;
3 – Alckmin é o mesmo de sempre. Velho tucano experiente, mas o seu discurso é repetitivo, sem observar as mudanças do país. Poderia ser utilizado em qualquer eleição do século passado;
4 – Marina continua a ter como principal bandeira sua sofrida trajetória de vida, utilizando isso para dar credibilidade aos seus compromissos com os mais pobres;
5 – Boulos mantém coerentemente o seu discurso anticapitalista e contundente nas críticas. Foi o único que cobrou a presença do Lula no debate;
6 – Ciro foi de longe o que demonstrou mais conhecimento e traquejo político. Para surpresa de muitos, também agiu com equilíbrio quando provocado;   
7 – E por último fica o grande vencedor do debate: Lula. O seu governo foi citado dezenas de vezes para ser criticado ou elogiado. Todas as grandes questões da economia tinham como referência, para o bem ou para o mal, a política adotada por ele. Tenho certeza que muita gente em casa sentiu a sua falta no pinga-fogo da Band.
Já analistas da corretora XP Investimentos analisam que “o eleitorado assistiu ontem ao primeiro debate da campanha presidencial de 2018. Vamos a alguns pontos de consideração”:
 1 – Como esperado, foi um encontro que deu indícios das estratégias e da continuação da campanha, mas não trouxe nenhum elemento novo definidor dos rumos da eleição. O modelo, com oito candidatos, limita as interações e uma discussão mais detalhada. O zero a zero não foi ruim, porém, para quem está na frente nas pesquisas, como é o caso de Bolsonaro e Marina.
 2 – A temida (ou esperada) explosão de Jair Bolsonaro não aconteceu em intensidade elevada que o comprometa daqui em diante. Ele até aparentou nervosismo, encurtou algumas respostas e teve menos desenvoltura do que nos vídeos normalmente distribuídos por sua militância, mas foi ele mesmo, sem se complicar.
3 – Geraldo Alckmin poderia ter saído maior do encontro se tivesse forçado uma comparação que o mostrasse mais preparado que o rival. Preferiu não fazer – escolheu Marina Silva para responder – e, se não saiu menor, ficou igual. E, ainda que o eleitor mais pobre não fosse o público preferencial do debate, o palavrório do tucano (modelo alemão, TLP, IVA...) mostra um desafio para comunicar às classes de baixa renda e escolaridade.
4 – A escolha dos candidatos, sobre qual rival vai responder à pergunta, é sintomática. Alckmin escolheu Marina duas vezes e, como dissemos, perdeu a chance de forçar a comparação direta com Bolsonaro. O deputado e Meirelles escolheram Alvaro Dias – candidato que dialoga com o público do tucano e pode ser útil para os dois rivais.
5 – O vácuo de Lula e do PT é simbólico. Exceto Guilherme Boulos no início – em uma versão Lula 1989 –, ninguém tentou explicitamente preencher essa lacuna. Indiretamente, Maria Silva é quem mais dialoga com esse eleitor.
6 – Alckmin, Marina e Ciro se valeram da experiência de outras campanhas presidenciais e pareceram, de certa forma, mais à vontade. Alckmin inclusive soube sair bem das investidas, mesmo que tímidas, de parte de alguns dos adversários. Marina adotou uma linha parecida com a de 2014 com o foco de que o que está aí não resolve e se colocando como uma terceira via. Ciro mostrou equilíbrio mesmo quando provocado.
7 – Cabo Daciolo virou personagem – toda campanha tem seu personagem. No debate, teve como efeito exercer o papel de “Bolsonaro do Bolsonaro”, fazendo as vezes do diferente. Isso tem um efeito principal: pela comparação, leva Bolsonaro para a categoria dos candidatos “sérios”, e reduz o contraste do deputado do PSL com os demais.
EM TEMPO: As opiniões de Ticianelli, do Argolo e da empresa que atua no mercado financeiro resumem, eu acho, cada um com a sua visão, com perfeição o que ocorreu no debate realizado na noite desta quinta-feira (9).
Por: CM

 
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