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quarta-feira, 13 de setembro de 2017

TIROTEIO NA ALE COMPLETA 60 ANOS


Há exatamente 60 anos, no dia 13 de setembro de 1957, Alagoas ganharia visibilidade na mídia nacional – e até internacional. Na contramão das notícias sobre avanços socioeconômicos, científicos e tecnológicos que começavam a se desenhar nos ‘Anos Dourados’, o Estado aparecia na editoria de política dos principais veículos de comunicação do País com um fato que poderia estampar as páginas policiais. Uma troca de tiros entre deputados dentro da Assembleia Legislativa Estadual (ALE) deixava um morto, vários feridos e uma Maceió sob tensão e medo, sem energia elétrica, transporte ou telefone.

Era início da tarde de uma sexta-feira 13, o termômetro marcava 37° quando deputados alagoanos atravessaram a Praça D. Pedro II e entraram no prédio da Assembleia Legislativa Estadual vestidos com pesadas capas de chuvas, na tentativa de disfarçar as armas que escondiam embaixo das roupas. Momentos antes, grandes sacos de areia foram levados para dentro do plenário e usados para fazer barricadas.

POVO COM MEDO

Nos arredores da sede do Poder Legislativo estadual, no Centro da cidade, a população assistia a toda a movimentação e já esperava o que viria a acontecer. O pecuarista Moacyr Tenório, de 80 anos, tinha acabado de sair do colégio onde estudava e estava na companhia de outros estudantes na Praça D. Pedro II, quando começaram os tiros.

“A gente estava observando aqueles homens importantes, todos vestidos com capas e sobretudos, entrarem no prédio armados. Todo mundo já esperava algo pior por causa da tensão política na época, mas ninguém esperava que fosse ser tão escancarado. Quando começou o tiroteio, era muita gente assustada correndo na rua, tentando se proteger”, lembra o aposentado.

O motivo que culminou com o cenário de guerra era a votação do pedido de impeachment do então governador Sebastião Marinho Muniz Falcão – dos 35 deputados estaduais, 22 estavam contra o chefe do Executivo. O boato que corria na cidade era que o sogro do governador, deputado Henrique Mendes (PTN), tinha encomendado 22 caixões para o enterro coletivo da bancada. O político, no entanto, foi o único que morreu durante o embate na ALE, com um tiro nas costas.


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