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quinta-feira, 24 de agosto de 2017

"Faltam políticas públicas para as mulheres em Alagoas", afirma desembargadora

A desembargadora do Tribunal de Justiça de Alagoas Elisabeth Carvalho afirmou, na manhã desta quinta-feira (24), durante entrevista à TV Gazeta, que, apesar dos avanços obtidos nos últimos anos, ainda faltam políticas públicas voltadas para mulheres em Alagoas.

Para tentar atender parte da demanda, o Judiciário inaugurou a "Sala Lilás", onde vai funcionar a Coordenadoria Estadual da Mulher em Situação de Violência Doméstica e Familiar. A iniciativa faz parte de um projeto nacional e tem como proposta atender vítimas de violência.

"Há um projeto nacional encabeçado pela ministra [do Supremo Tribunal Federal] Carmem Lúcia, chamado Justiça pela paz em casa. Em Alagoas, não havia um local para atendimento. Nós falamos com o presidente do Tribunal de Justiça e ele nos concedeu o espaço", explica a desembargadora.

De acordo com ela, a sala vai funcionar no térreo do Tribunal, entre 7h30 e 13h30. "Elas [mulheres] vão em busca de orientação, de formação. De lá [da sala] serão encaminhadas para a delegacia ou para o juizado, conforme o caso".

Para a desembargadora, faltam políticas públicas efetivas para reduzir o alto número de casos de violência doméstica em Alagoas. Ela cita como exemplo a quantidade de delegacias especializadas no estado e afirma ter abordado o assunto com o governador Renan Filho (PMDB).

"[A violência doméstica] é uma cultura antiga. Faltam políticas públicas. Só temos duas delegacias da mulher em Alagoas. Uma em Maceió e outra em Arapiraca. No Sertão, não tem amparo nenhum. O Litoral Norte é completamente abandonado. Não há proteção", ressalta.

Elisabeth Carvalho afirma que é necessário expandir a atuação das delegacias especializadas para cidades mais populosas, como Penedo, Palmeira dos Índios e Delmiro Gouveia. "Ela [vítima de violência doméstica] vai denunciar numa delegacia que mal da conta das demandas do dia a dia? Falta uma política mais voltada para a mulher".

Outro ponto defendido pela desembargadora é um investimento maciço em educação. "É preciso uma educação de qualidade. Tem que se qualificar os professores. A gente só consegue se defender se souber dos nossos direitos", conclui.


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