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quinta-feira, 4 de maio de 2017

Pesquisa da Ufal estuda relação de larvicida aos casos de microcefalia em AL

Pesquisadores do Laboratório de Aquicultura do Centro de Ciências Agrárias (Ceca) e do Laboratório de Biotecnologia e Enzimologia do Instituto de Química e Biotecnologia (IQB) da Universidade Federal de Alagoas (Ufal) constataram que o larvicida utilizado no controle do mosquito Aedes aegypti é prejudicial para a saúde de peixes. Verificando os impactos dos larvicidas nos organismos aquáticos, eles também passaram a observar os prejuízos ocasionados à saúde humana e a relacioná-los aos casos de microcefalia. 
De acordo com um dos coordenadores da pesquisa, Emerson Soares, os estudos tiveram início em 2016 e surgiram após a desconfiança dos pesquisadores diante do aumento do número de casos de microcefalia, ao mesmo tempo em que houve uma intensificação do uso de larvicidas, principalmente o piriproxifeno, em ações do Ministério da Saúde (MS), normalmente colocados em cisternas que armazenam água para consumo humano e em ambientes dotados de água parada, visando o controle e o combate às larvas. O professor explica que o larvicida é um análogo a um hormônio juvenil que atua na inibição da metamorfose e embriogênese do mosquito.
Emerson enfatiza que a desconfiança começou já com os primeiros casos de deformidades ocorridas em bebês. Eles passaram então a estudar o uso de larvicidas, que poderiam causar deformidades ou se bioacumular nos organismos, chegando ao homem via alimentação. 
"A partir dessa desconfiança, foi iniciado o projeto Avaliação do Potencial Toxicológico de Larvicidas, que tem como objetivo determinar a concentração letal do piriproxifeno e avaliar a estrutura hepática e o comportamento de peixes submetidos a vários níveis do citado larvicida na água", destacou. 
Os resultados constatados nos estudos realizados com o peixe tilápia apontam que é real a probabilidade do piriproxifeno causar danos a órgãos e tecidos. Nos estudos, foi possível comprovar que as doses usadas no combate às larvas do Aedes aegypti estão mais altas do que o recomendado para os peixes, provocando alta mortalidade.
Ele destaca que nas análises histopatológicas (no tecido do fígado), a partir da concentração usual do larvicida, contatou-se que estes causam vários danos ao tecido hepático, hemorragias e processos inflamatórios no órgão. A enzima aceticolinesterase no cérebro dos organismos expostos ao piriproxifeno durante 96 horas também mostrou alterações no tecido cerebral do peixe. 
"O piriproxeno para a tilápia é danoso e com o avanço das pesquisas realizadas pela equipe, pretende-se ver o quanto o larvicida pode ser prejudicial ou não ao desenvolvimento embrionário de organismos aquáticos. Ou seja, se causa alguns tipos de deformidade ou malformação (deformidade ou anomalia geralmente congênita)", diz.
Pesquisa foi realizada com peixes em laboratório da Ufal
FOTO: UFAL





















Ele aproveita para explicar de que forma o larvicida pode chegar aos ambientes com água represada, que é o utilizado para cultivos intensivos de peixes. "Os ecossistemas aquáticos sofrem diversos impactos, principalmente pela ação feita pelo homem. Larvicidas e herbicidas são carreados por meio do escoamento superficial e uso direto dos biocidas na água e podem bioacumular no sistema hídrico e na biota aquática, ficando retidos no corpo do animal e, portanto, chegando ao ser humano, quando se alimenta do peixe", frisou.
O estudo tem conclusão prevista para este ano e Emerson acrescenta que ao final dará respostas às várias hipóteses levantadas. "Saberemos se o mesmo dano constatado no peixe, devido ao uso do larvicida, pode comprometer a saúde humana, provocando alteração na fisiologia e deformidades no desenvolvimento embrionário, foco da pesquisa", reforçou. 
A pesquisa é financiada pelo Ministério da Saúde e Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Alagoas (Fapeal), envolve os professores Elton Santos, do curso de Zootecnia, e a professora Sônia Machado, do Instituto de Química e Biotecnologia, entre outros pesquisadores, e foi tema de dissertação de mestrado de Fábio Francisco da Silva, defendida no dia 26 de abril.

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