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quinta-feira, 4 de maio de 2017

Manifestante tem corpo incendiado durante protesto contra Maduro na Venezuela

Um manifestante que participava de um protesto contra o governo de Nicolás Maduro nesta quarta-feira (3) em Caracas teve seu corpo incendiado.
De acordo com a agência France Presse, seu corpo pegou fogo depois que um tanque de gás de um veículo usado pela polícia explodiu. Ainda não está claro qual o seu estado de saúde.
Em mais um dia de manifestações, houve confrontos e distúrbios no protesto desta quarta, que foi organizado para protestar contra a convocação de uma Assembleia Constituinte pelo presidente Maduro.
Os opositores iniciaram uma passeata no leste da capital venezuelana rumo à sede do Parlamento, no centro de Caracas, mas foram dispersados com bombas de gás e balas de borracha pela Guarda Nacional Bolivariana (GNB, polícia militarizada).
Apoiados por caminhões blindados, militares e policiais pressionaram a multidão, com gás e com jatos d'água, na autoestrada Francisco Fajardo, no leste de Caracas. Jovens, alguns encapuzados, reagiram com pedras e com barricadas em chamas. Várias pessoas ficaram feridas, incluindo dois deputados da oposição.
Manifestante tem corpo incendiado durante protesto contra Maduro
FOTO: RONALDO SCHEMIDT / AFP





















Mortos e feridos
O Ministério Público informou que um jovem de 18 anos morreu nos distúrbios desta quarta, mas as circunstâncias de sua morte ainda não foram esclarecidas.
Com esta morte, sobe a 32 o número de mortos em um mês de manifestações contrárias ao governo. Além disso, houve quase 500 feridos e mais de mil detidos.
Protesto foi contra convocação de Assembleia Constituinte pelo presidente Nicolás Maduro
FOTO: REUTERS/CARLOS GARCIA RAWLINS






















Só nesta quarta, mais de 180 pessoas ficaram feridas, entre elas seis deputados venezuelanos, segundo informações da agência Efe.
Assembleia Constituinte
Maduro entregou o decreto para instaurar a Assembleia Constituinte nesta quarta-feira ao Conselho Nacional Eleitoral (CNE). Depois, liderou um ato para milhares de seguidores no centro da capital, cujo acesso é bloqueado aos opositores.
"Convoco uma Assembleia Nacional Constituinte cidadã e de profunda participação popular para que nosso povo, como depositário do Poder Constituinte originário, possa, com sua voz, decidir o destino da Pátria", disse o presidente no CNE.
Maduro garante que a eleição dos 500 constituintes será feita "livremente, pelo voto universal, direto e secreto", nas "próximas semanas", em setores da sociedade e dos municípios. Metade deles deverá ser escolhida por setores sociais, nos quais o governo tem influência. Segundo ele, as eleições serão "nas próximas semanas".
"Constituinte, sim, 'guarimaba' [protesto violento], não", gritou Maduro para seus seguidores.
No ato, ele foi acompanhado da presidente do CNE, Tibisay Lucena, acusada pela oposição de servir ao governo. Em discurso, Lucena declarou que a Constituinte "trará paz ao país".
'Fraude'
Segundo seus adversários e na visão de especialistas constitucionalistas, isso significa uma eleição "fraudulenta", e "não universal".
"É uma fraude madurista. Como não podem ganhar eleições, querem impor o modelo eleitoral cubano para se perpetuar no poder", garantiu o líder da oposição Henrique Capriles, convocando seus correligionários nas ruas.
"Todas as ditaduras caem. Esta pantomima que deseja convocar não pode tirar nossa maior força: o povo na rua", declarou o vice-presidente do Parlamento, Freddy Guevara.

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