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terça-feira, 28 de março de 2017

Moradores da cidade ribeirinha de Traipu lamentam morte do rio São Francisco


O rio São Francisco, principal cursos d'água do Brasil, já não é mais o mesmo com suas fortes correntezas e água abundante. Na verdade, o que se vê hoje em dia é o assoreamento, áreas de areia em decorrência da degradação da bacia hidrográfica do famoso 'Velho Chico'.

No domingo (26), em tom de lamento o pescador José Maria, que mora no município de Traipu, no Baixo São Francisco de Alagoas, falou sobre o que vê do rio e lamentou a situação caótica enfrentada por ele hoje em dia.

O pescador é do tempo de ter vivido com a fartura de muita água no São Francisco, em que o medo vinha à tona ao entrar na imensidão das águas profundas de um rio que passa por cinco estados brasileiros e beneficia 521 municípios. 

“Era difícil navegar nessas águas, um motorzinho fraco sofria aí viu, tinha que ser bom, a correnteza era muito forte”, disse o pescador compando a realidade do rio de hoje com a de tempos atrás.
Os bancos de areia aparecem cada vez mais na paisagem do São Francisco, numa demonstração de que o nível das águas baixam consideravelmente. A seca também é um dos problemas que afetam ainda mais a saúde do 'Velho Chico'.

“Eu acredito e espero que a qualquer momento uma cheia encha o rio novamente", falou José Maria com a fé que enche a alma do pescador de Traipu.

Sobre a atual paisagem do rio São Francisco, José Maria acredita que seja um recado de Deus para que os homens possam cuidar mais do 'Velho Chico', que está tendo o percurso de suas águas desviado pelo "Projeto de Integração do rio São Francisco com Bacias Hidrográficas do Nordestew Setentrional".

O projeto do Governo Federal é para levar água onde ela naturalmente não chegaria em seu curso que começa na Serra da Canastra, em Minas Gerais, e deságua no oceano Atlântico, entre os estados de Alagoas e Sergipe. O desvio das águas é para chegar aonde não tem água e sofre com a seca no Nordeste. 

“Acho que Deus está dando um recado, se não cuidarmos ele morre e nós morremos juntos”, avisou José Maria.

Sobre a construção da transposição do rio, a lavadeira que habitualmente trabalha lavando roubas no São Francisco, em Traipu, critica a ação do governo federal que para ela só contribui para a morte do rio.

“Muitos falam em transposição, levar água pra quem está passando cede, mas a cede está aqui pertinho de nós, o governo está acabando de matar o rio com essa história”, desabafou uma lavadeira da região, que não quis se identificar.

Transposição do 'Velho Chico'

Sob a responsabilidade do Ministério da Integração Nacional (MIN), a transposição do rio São Francisco prevê a construção de mais de 700 quilômetros de canais de concreto em dois grandes eixos (norte e leste) ao longo do território de quatro Estados (Pernambuco, Paraíba, Ceará e Rio Grande do Norte), para o desvio das águas do rio.


Adalberto Gomes
 
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