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terça-feira, 28 de março de 2017

Debate na CRE aponta resistência em todo o mundo ao avanço da globalização

Sob a presidência do senador Fernando Collor de Mello (PTC-AL), a Comissão de Relações Exteriores do Senado Federal (CRE) iniciou, na noite desta segunda-feira (27), o 1º painel do ciclo de debates "O Brasil e a ordem internacional: construir pontes ou erguer barreiras?". Durante a abertura dos trabalhos, Collor comentou as grandes transformações ocorridas nos últimos anos no planeta. Ele observou que acontecimentos como a presidência de Donald Trump, o chamado Brexit e o afloramento de nacionalismos em todo o mundo estão colocando incertezas no destino da União Europeia, por exemplo, e diversos outros países e organizações internacionais. 
Collor pediu aos convidados que analisassem essas e outras questões, como a continuidade da crise econômica internacional, as alianças regionais, como o Mercosul, o papel dos grandes organismos internacionais, como ONU, OMC, OEA e Otan. Além disso, ele apontou para problemas como o crescimento do desemprego, a queda da renda, conflitos étnicos, a crise da legitimidade da classe política, migrações, meio ambiente e segurança e defesa nacional. Ao longo das três horas de sessão, senadores, convidados e internautas discutiram sobre este contexto. 
O aprofundamento da globalização nos últimos anos vem gerando resistência em diversos seguimentos em todo o planeta, o que se reflete em fatos como a vitória de Donald Trump nos Estados Unidos, a saída do Reino Unido da União Europeia e o crescimento de movimentos nacionalistas em várias nações. Essa foi uma das análises apresentadas pelos participantes da audiência pública interativa promovida pela Comissão de Relações Exteriores do Senado Federal. 
Convidados de peso debateram com senadores o contexto mundial 
FOTO: AGÊNCIA SENADO





















Durante o debate na comissão, o embaixador Gelson Fonseca Júnior destacou a grande interdependência econômica entre os países atualmente que, em sua interpretação, não é sinônimo de facilidade de consenso entre as nações. Para Fonseca, os movimentos nacionalistas que estão em crescimento têm interesse na perda de poder da ONU e de outros organismos supranacionais, visto que a defesa da indústria e dos empregos nacionais estaria em primeiro plano.
O professor do Instituto de Relações Internacionais da Universidade de Brasília (UnB) Eduardo Viola afirmou que duas grandes vertentes estão em embate atualmente no mundo: a força do aprofundamento da globalização (hiperglobalização) e as forças contrárias, de reação e resistência, algumas com o intuito de diminuir a velocidade da globalização e outras claramente antiglobalizantes.
Ele chamou atenção também para a aceleração da revolução tecnológica, principalmente o rápido avanço da inteligência artificial e o aumento da capacidade de cooperação entre os países. Para ele, essas transformações cada vez mais rápidas e a produção e compartilhamento constante de dados, informações e conhecimento e a circulação de bens, pessoas e serviços estão impactando de maneira profunda a vida cotidiana das sociedades.
Ainda durante a sessão, Eduardo Viola lembrou que os três grandes polos de poder mundiais hoje são os Estados Unidos, a União Europeia e a China. Esta última interessada no aprofundamento da globalização econômica, mas tentando frear o aumento do compartilhamento de informações dentro de seu território, por exemplo. Já a Rússia, segundo ele, desejando retornar a esse grupo de grandes potências, mas tentando resistir à hiperglobalização.
Até o mês de dezembro serão realizadas diversas sessões na comissão
FOTO: AGÊNCIA SENADO





















Por sua vez, o embaixador Rubens Barbosa disse que a nova ordem internacional é incerta nas áreas política, econômica, comercial e de segurança e defesa. Essas incertezas estariam mudando de maneira significativa a geopolítica global. Sobre o Brasil, Rubens Barbosa afirmou que o país tem sérios desafios, como a continuidade da crise econômica, as crises política e ética, a necessidade de austeridade para bancar o crescimento econômico, a desindustrialização e a perda de competitividade no comércio internacional.
Ele apontou também que há desafios para todo o planeta, como o terrorismo, a questão Israel/Palestina, os refugiados, a segurança cibernética, a crise do multilateralismo, a volatilidade dos preços das commodities e o reordenamento do sistema produtivo global. Na avaliação dele, tudo isso gera incertezas no comércio internacional, enfraquecimento da OMC e crescimento de protecionismos nos países .
Para Rubens Barbosa, o Brasil não vem reagindo adequadamente a todas essas mudanças e tem o grande desafio de retomar a liderança na América do Sul e reinserir-se como uma das grandes economias mundiais, reaproximando-se das grandes nações. Também participaram dos debates os senadores Cristovam Buarque (PPS-DF), Jorge Viana (PT-AC), Hélio José (PMDB-DF) e Thieres Pinto (PTB-RR). 
Algumas perguntas e observações enviadas por internautas pelo portal e-Cidadania foram lidas pelo presidente Collor e comentadas pelos debatedores.Este foi o primeiro painel do ciclo de debates planejado pela CRE para este ano. O tema desta segunda-feira (27) foi "Tempestade ou Calmaria? A configuração da ordem internacional contemporânea e a atuação do Brasil". 
O segundo painel ocorrerá no dia 10 de abril, às 18h, com transmissão ao vivo para todo o Brasil por meio da TV Senado e, também, Youtube. 
Sessões da CRE são transmitidas pela TV Senado para todo o país
FOTO: AGÊNCIA SENADO


































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