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sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017

Maternidade e seus desafios psicológicos




Existe uma idealização em torno da maternidade. Ser mãe é visto apenas pela perspectiva de benção, emoção, realização, alegria. As expectativas são as melhores, não só para futura mãe, mais também para toda a família e parentes que acompanham este momento.

No entanto, a gestação é um momento de mudança de humor, física e hormonal. É uma explosão de sensações que acontecem ao mesmo tempo, dia após dia uma nova experiência. Essas mudanças acontecem também psicologicamente. Nessa fase, ela também está suscetível à transtornos depressivos, de ansiedade. Tais condições psicológicas já são bastante conhecidas. Porém, ainda temos alguns outros transtornos que são pouco conhecidos.

No pós-parto temos um período que é comparado a uma leve depressão, que é chamado de blues puerperal, puerperal aqui é a fase de até 45 dias após o parto. O blues puerperal vai atingir cerca de 60% das mães e costuma durar de uma a duas semanas. As principais características são: tristeza, baixa auto-estima, falta de interesse em cuidar de seu filho.

A depressão pós-parto é acometido pelas recém mamães de 10 à 19%, seus sintomas são mais graves. Que são: tristeza profunda sem causa aparente, alteração brusca do sono, alteração do apetite, diminuição e apatia para realizar tarefas corriqueiras, principalmente cuidar de seu filho. Sem o devido acompanhamento psiquiátrico pode levar ao suicídio.

E por último, e considerado o mais grave, é a Psicose puerperal, tal doença é desencadeada pelo processo do parto, assemelhando-se a psicose de curta duração.

É o mais grave porque tem dois sintomas distintos: o delírio e a alucinação. O delírio seria alterações do pensamento onde o indivíduo passa a ter o entendimento errôneo da realidade, mesmo tendo pouca consciência que são criações de sua mente. Já as alucinações são alterações do senso perceptivo, onde o sujeito pode ver imagens, ouvir sons, ver pessoas ou objetos que outros acompanhantes não veem, ou seja, são criações de sua mente. O seu comportamento ficará desorganizado, assim como seu discurso. Nesse caso, a mãe não teria a noção que é algo apenas de sua mente, mais enxerga como real. Ambos sintomas da psicose requer um afastamento da mãe de seu filho. O que a torna um perigo para o mesmo, muitas chegam a cometer infanticídio, que seria matar seu próprio filho num momento de crise. 

Tal Transtorno vai se enquadrar no CID 10 F 53.1 – Transtornos mentais e comportamentais graves associados ao puerpério não classificados em outra parte.
Esses transtornos são poucos divulgados e existe um preconceito, como muitos dos transtornos mentais, pois as pessoas não conseguem cogitar que uma mãe venha a adoecer mentalmente ao ter um filho. Lembrando que quem mais sofre as consequências são as mães.

Os estudos ainda não têm um motivo conclusivo da existência de tais transtornos, mas temos algumas variáveis que levamos em consideração. Como: gravidez não desejada, problemas relacionais durante a gravidez, expectativa de carregar um filho indesejado ou que não seja o sexo que desejaria, traumas durante outras gestações, predisposição genética. Esse são fatores possíveis, no entanto, não são decisivos para o desencadeamento.

Vale realçar que a mãe não é a culpada por ter o transtorno, ou não tem coração pelo fato de rejeitar seu filho, ou que é irresponsável. É uma doença como qualquer outra. E necessita de atenção e tratamento. A maternidade é um sonho, mais que pode ter seus obstáculos. Muitas mães que não se tratam rejeitam a vida toda seus filhos e isso gera filhos infelizes ou com complicações para entender os motivos dessas atitudes.

As mães que já tiveram tais sintomas, ao engravidar em outra ocasião, mesmo já tratada e curada, precisa de um acompanhamento. Os acompanhantes devem ter cuidado e não culpar a mãe apenas, mais ajudar a se cuidar.

A saúde mental é a chave para o bem estar de todas as etapas de nossa vida.

Jéssica Amanda Morais Rodrigues
CRP 15/3944




 
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