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sábado, 5 de novembro de 2016

Alagoano vence o crack e se torna um empreendedor de sucesso

Texto de Daniel Dabas

Largar o entorpecente é o maior desafio para um dependente químico. A reconstrução da vida após a dependência torna-se, muitas vezes, ainda mais árdua. O cabeleireiro e barbeiro Francisco Amorim conheceu de perto os caminhos tortuosos das drogas. Aos 25 anos, viciou-se em crack e mergulhou na sarjeta. Após 10 anos de luta diária, ele venceu a dependência química e se transformou num empreendedor de sucesso.

Em 2005, Francisco usou crack pela primeira vez com um amigo. “Era uma quarta-feira, estávamos na casa dele quando experimentei. Eu sabia da existência do crack, mas até então nunca tinha visto. A primeira sensação é de alívio, de liberdade, de prazer intenso. Tudo isso num tempo curto de cinco minutos. Mas rapidamente, o corpo pede mais e mais. Perdemos nossas forças e num piscar de olhos ficamos dependentes daquilo”, explicou Francisco.

Com o uso frequente da droga, Francisco passou a se isolar. “As pessoas começaram a me olhar com outros olhos. Aos poucos, a droga nos exclui da sociedade, fazendo com que percamos nossa dignidade e nosso respeito. A gente se sente oprimido, depressivo, fraco, o que nos faz buscá-la ainda mais”, ressaltou.

Com a vida devastada pelo crack, o cabeleireiro conta que a dependência afetou também a família. “Nossos pais viram codependentes, sofrem conosco. O vício arrasa todo mundo a nossa volta. O crack faz a gente se tornar um rato-de-esgoto. Faz com que busquemos os lugares mais sombrios como refúgio, não importa se for debaixo de uma ponta ou num terreno sujo baldio”, revela.

Após anos de humilhação e de muitas tentativas de se livrar das drogas, o empreendedor encontrou na comunidade acolhedora Shalon, situada em São Miguel dos Campos, uma luz no fim do túnel para se reerguer. Shalon é uma das 37 instituições credenciadas pelo Governo de Alagoas, por meio da Rede Acolhe, um programa da Secretaria de Prevenção à Violência (Seprev) que oferece tratamento terapêutico gratuito a dependentes químicos em Alagoas.

A instituição acolhedora foi, para ele, a principal oportunidade de superação. “A comunidade é uma porta que se abre para dar início ao tratamento. Mas é preciso muita força de vontade. Lá, encontramos pessoas dispostas a nos ajudar. No entanto, é necessário aproveitar isso para ter consciência de que é possível viver sem drogas”, esclareceu.

Francisco, hoje com 35 anos, está há mais de um ano sem fazer uso de entorpecentes. Ao sair da comunidade, ele chegou a trabalhar num reconhecido centro de beleza em Maceió. Com muita luta, abriu o próprio negócio com um sócio. Em seu empreendimento, uma barbearia localizada na Ponta Verde, Francisco conquistou clientela cativa e colhe frutos da reconstrução de sua vida.

Agência Alagoas
 
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