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segunda-feira, 24 de outubro de 2016

Padre Eraldo e a Câmara

     
*Por Luciano Aguiar          
Com a emblemática vitória do Padre Eraldo, os incautos andam pelas esquinas divulgando que “cortaram a cabeça da hidra”. Mas o coração da fera continua intacto e batendo mais forte. Diz a lenda, que a cada cabeça guilhotinada, duas ressurgem, ampliando a possibilidade de ataque. Nem o melhor dos samurais conseguiria degolar a praga de cabeças advinda dessa moita do mal. 

As eleições municipais causaram uma falsa reação de cidadania, de tal forma que o resultado do pleito foi absorvido pelo senso comum, em toda região polo de Delmiro Gouveia, como uma expressiva sinalização de recomposição da correlação de forças que operam as intenções de mando das “oligarquias” no Sertão do São Francisco.

A priori, vamos analisar duas vertentes do resultado eleitoral. A vitória do Padre Eraldo, frente aos interesses do coronelismo de Estado e a recondução de um corpo legislativo, quase em sua totalidade, comprometido com o fisiologismo. 

Desde o princípio, Padre Eraldo manteve-se em todas as pesquisas, caseiras ou não, como franco favorito, mesmo enfrentando um processo de ilegibilidade, traçado pelos seus “adversários”. A aliança prévia com o grupo político da Barragem Leste, liderada pelo Vereador Cacau, causou nas hóstias da “oposição” um reboliço de entendimento, provocando o afastamento de importantes aliados históricos da candidatura Eraldo, ainda cercada pelos pedidos contínuos de vistas no Tribunal de Justiça.

Em paralelo, um histórico aliado do Prefeito Luiz Carlos Costas, o Vereador Valdo Sandes do PSB, costurava uma alternativa de “centro esquerda” com o vereador Edvaldo Nascimento do PC do B, capaz de fazer frente às manobras governistas, que importou o Deputado Federal Givaldo Carimbão do baixo clero, numa trama ousada e desmedida, para manter-se no poder de mando, com um gerente de seus interesses no comando do município.

O xeque já foi mate, quando os apoiadores políticos da candidatura Valdo Sandes foram ao esgrime. Celso Luiz intrometeu-se em Piranhas, fato que irritou os Damacena; Por outro lado, o líder do clã, Desembargador Washington Luiz, enfrentava um desgaste no Judiciário, afastado de suas funções; Por último, Luiz Carlos Costas e os Calheiros disse não ao Valdo, seu aliado de trinta anos. 

Com a decisão do Tribunal de Justiça, dando ganho de causa ao Padre Eraldo, o cenário eleitoral mudou radicalmente e a candidatura de Valdo não avançou, enfrentando problemas graves com a “saída” forçada do PC do B da condução da organização política da campanha.  A alternativa Valdo Sandes foi absorvida pela polarização entre Padre Eraldo e Carimbão, abrindo caminho para a rearticulação das bases oposicionistas e das candidaturas soltas, que migraram com força para o projeto Padre Eraldo /Gabriel Varjão.

As figuras emblemáticas da política clientelista, quase na sua unanimidade compostas por vereadores, entenderam que a candidatura do Padre Eraldo estava associada a um sentimento de mudança espontâneo e desprovido, pela massa eleitoral, de qualquer senso político. 

Não foi o palanque que elegeu o Padre Eraldo, mas o palanque foi usado de forma ardilosa, pelos usurpadores de consciência, que se refugiaram no porão do navio e aguardaram a travessia, para darem as caras e coroas  no resultado digital.

Como um conjunto de vereadores, renovam na sua “unanimidade” mandatos muito mal avaliado pela sociedade? A surpresa não foi de uva, todos nós degustamos jiló e comemoramos o corte da cabeça da Hidra.

O Padre Eraldo na culminância de sua maturidade política e no ruminar de suas intenções, depara-se com alguns problemas de natureza grave: O país num colapso financeiro, provocado por um golpe de estado branco, com a participação efetiva do parlamento; A PEC 241 que “reordena” e limita os gastos da união; “Carência” de recursos humanos, para construir um secretariado a altura que o momento exige; E uma Câmara Legislativa afeita ao clientelismo. Esses pontos são cruciais e exigem da sociedade organizada uma efetiva mobilização capaz de fora para dentro do Parlamento, da sustentação ao novo governo a partir de 1 de janeiro.

*Luciano Aguiar é Empresário, Artista Plástico e
Vice Presidente do PC do B/Delmiro .

 
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