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segunda-feira, 5 de setembro de 2016

Secretaria de Saúde oferece atendimento humanizado a crianças com microcefalia

Até 2014, a zika nem existia no Brasil, e ninguém associava essa doença ao nascimento de crianças com microcefalia. A anomalia ainda é cercada de mistérios. No mundo inteiro, um exército de cientistas começou uma corrida para solucioná-los.
 
Enquanto procuram respostas, é preciso lidar com os problemas. À vista disso, a Secretaria de Estado da Saúde (Sesau), por meio da Supervisão de Cuidados à Pessoa com Deficiência (Suped), tem viabilizado o atendimento para que os bebês com esta má-formação congênita consigam desenvolver todo o potencial que sua condição permite.

A estimulação precoce de bebês nascidos com microcefalia promove a harmonia do desenvolvimento entre vários sistemas orgânicos funcionais (áreas motora, sensorial, perceptiva, linguística, cognitiva, emocional e social), dependentes ou não da maturação do Sistema Nervoso Central (SNC).

De acordo com Renata Bulhões, supervisora de Cuidado à Pessoa com Deficiência, qualquer programa de estimulação do desenvolvimento da criança deve ter seu início desde o nascimento até os três anos de idade, período em que o cérebro se desenvolve mais rapidamente.

“Não se trata de uma terapia nem de um método de ensino formal. É apenas uma forma de orientação do potencial e das capacidades dessas crianças. Quando se estimula um bebê microcéfalo, está se abrindo um leque de oportunidades e de experiências que o fará explorar, adquirir agilidade de uma forma mais natural e entender o que ocorre ao seu redor”, explica.

“Quanto mais tarde a criança iniciar a estimulação precoce, mais defasado estará seu desenvolvimento motor, com perda da área sensorial, que vai refletir na falta de noção espacial, esquema corporal, percepção, contribuindo para a falta de atenção ou dificuldades cognitivas”, orienta Renata Bulhões.
 
Desse modo, a estimulação precoce é levar a criança, através da brincadeira, a aprender sempre mais, segundo evidencia a supervisora de Cuidado à Pessoa com Deficiência.

“A ajuda de profissionais como neuropediatras, fonoaudiólogos, fisioterapeutas, terapeutas ocupacionais, assistentes sociais e psicólogos é de fundamental importância, pois eles serão capazes de analisar em que áreas a criança pode estar passando por dificuldades para criar um programa de apoio”, explicou.

Onde encontrar

Em Maceió e Arapiraca, algumas instituições oferecem a estimulação precoce de forma gratuita pelo Sistema Único de Saúde (SUS), como é o caso da AAPPE, Pestalozzi, Uncisal, Apae, Adefal, PAM Salgadinho, Apae Arapiraca, Cemfra e Pestalozzi Arapiraca.

Antes desse processo, no entanto, quando uma criança nasce em algum dos 102 municípios com suspeita de microcefalia, a Secretaria Municipal de Saúde informa à Sesau, que faz o agendamento dos exames para fechar o diagnóstico.

Para isso é necessário que a criança seja submetida a uma tomografia, que é realizada no Hospital Geral do Estado (HGE), além de uma consulta com um neuropediatra, que pode ser no Hospital Escola Hélvio Auto (HEHA) ou na Clínica Infantil Dayse Brêda, além de exames complementares solicitados por este profissional.

Já as crianças que nascem na maternidade do Hospital Universitário Professor Alberto Antunes (HUPAA), a própria unidade garante a realização da tomografia, bem como a consulta com o médico neuropediatra e exames complementares solicitados por ele.
 
Doses diárias de estímulo

Mabelly Colatino é uma dessas mães que estão sendo beneficiadas com o serviço implantado pela Sesau. Ela tem 23 anos, é casada. Sua filha, Sarah Colatino, de oito meses, é uma das 74 crianças que realizam a estimulação precoce no Estado de Alagoas. A pequena nasceu com microcefalia sem associação à infecção por zika vírus. 

Há seis meses começou o tratamento numa das unidades da Pestalozzi Maceió. Na sala cheia de brinquedos espalhados em um chão azul-escuro e emborrachado, Sarah é estimulada em cima de uma bola suíça com movimentos realizados por uma fisioterapeuta e uma fonoaudióloga.

Utilizando uma lanterna a uma distância aproximada de 30 centímetros, as profissionais observam se a bebê percebe a luz nos diferentes campos visuais, modificando sua movimentação corporal em busca do foco luminoso. Observam, também, se ela impede a entrada da luz em seus olhos, com movimentos de mão ou cabeça. Se ela pisca em excesso ou se olha excessivamente para a luz.
 
Além disso, atividades de estimulação sensorial tátil com objetos de diferentes cores, texturas e ruídos, auxiliam experiências sensitivas e promoção do próprio toque do bebê, uma vez que a alteração neurológica provoca certo aumento em seu tônus muscular, tornando-a durinha.

Para Colatino, o serviço só trouxe melhorias para a vida de sua filha, pois a pequena não sentava, tampouco conseguia segurar os objetos que lhe davam. “Ela tem evoluído bastante com esse atendimento. É de fundamental importância, porque se a gente não tivesse esse tratamento, dificilmente a minha filha estaria se desenvolvendo de um jeito tão rápido. Além da equipe que ajuda bastante, pois elas são simpáticas e muito competentes. Estou feliz com os resultados”, elogiou, com um sorriso satisfeito.

Agência Alagoas
 
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