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terça-feira, 20 de setembro de 2016

Renan: Lava Jato tem de separar 'joio do trigo' e acabar com 'exibicionismo'

Investigado pela Lava Jato, o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), afirmou nesta terça-feira (20) que os investigadores do esquema de corrupção que atuava na Petrobras têm de separar o "joio do trigo" e precisam "acabar com o exibicionismo". O peemedebista reclamou ainda que os procuradores da República responsáveis pela operação têm de fazer denúncias "consistentes".
Ao criticar a Lava Jato, Renan citou a denúncia formalizada na semana passada pelo Ministério Público Federal (MPF) contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silvae a ex-primeira-dama Marisa Letícia. Na ocasião, o coordenador da Lava Jato, o procurador da República Deltan Dallagnol, chamou Lula de "comandante máximo" do esquema de corrupção que agiu na estatal do petróleo.
A denúncia contra Lula abrange três contratos da OAS com a Petrobras e diz que foram pagos ao petista R$ 3,7 milhões em propinas. O ex-presidente, a ex-primeira-dama e outras seis pessoas foram acusados pelo MPF de corrupção ativa, passiva e lavagem de dinheiro.
Na visão de Renan, episódios como a denúncia apresentada contra Lula retiram "prestígio" da instituição. Ele defendeu que não se pode fazer denúncias por "mobilização política".
"Eu acho que a Lava Jato é um avanço civilizatório, mas a Lava Jato tem a responsabilidade de separar o joio do trigo, acabar com esse exibicionismo, fazer denúncias que sejam consistentes. Acabar com o exibicionismo que nós vimos agora no episódio do ex-presidente Lula e vimos em outros episódios porque isso, ao invés de dar prestígio ao  Ministério Público, isso retira prestígio do Ministério Público", ressaltou Renan em entrevista ao chegar ao Senado nesta terça.
O senador do PMDB deu a declaração após ser questionado por jornalistas sobre supostos pagamentos de propina para a campanha política da chapa formada por Dilma Rousseff e Michel Temer nas eleições presidenciais de 2014.
"É preciso fazer denúncias, claro, investigar, claro, mas fazer denúncias que tenham começo, meio e fim, que sejam consistentes, e não fazer denúncias por mobilização política, porque com isso o país perde, as instituições perdem também", enfatizou.


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