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segunda-feira, 19 de setembro de 2016

Não se cale diante da violência sexual

*Por Jéssica Amanda

O estupro é uma temática que deveria ter visibilidade na nossa sociedade. Nossas autoridades não tem uma estimativa exata de quantas crianças e adolescentes sofrem com essa violência. Os números oficiais de registro na polícia, segundo site do G1, são mais de 25 mil novas denúncias todo ano. No entanto, apenas pouco mais de 2.300 abusadores cumprem pena no país. 

Tal índice é comprovado com vários casos que chegam à mídia, como o caso do Nesinho Alencar, que foi flagrado Estuprando duas crianças. Ou o Capitão da PM Pedro Chavarry Duarte, que há anos vem sendo acusado de estupro, no entanto nunca foi julgado e preso. O delegado que foi absolvido do estupro da neta, o qual foi comprovado o ato. Esses e muitos outros não chegam a ser julgados como se devia. A sensação de impunidade toma as pessoas que são vítimas. Sem contar a vergonha, a culpa, a angústia, o preconceito que essas vítimas vivenciam diariamente. E até a sociedade em geral se sente desprotegida caso precise um dia de nossa justiça.

Infelizmente, acredito que tanta impunidade si dá porque a maioria dos estupradores são pessoas de confiança, pessoas que estão próximos de suas famílias ou até são da família, seja um pai\mãe, irmão (a), tio (a), padrasto\madrasta, padrinho\madrinha, entre outros. São pessoas que podem manipular, desmentir e desacreditar as palavras de crianças e adolescentes diante de seus responsáveis.

O que vai configurar um estupro é qualquer ato sexual que não tenha o consentimento da pessoa, seja o toque indevido ou o próprio ato libidinoso. No caso de crianças, velhos se dizem seduzidos por crianças e até bebês, ou se deixam levar por atos perversos. Segundo a Lei 12.015 art. 213 do artigo penal diz: "Constranger alguém, mediante violência ou grave ameaça, a ter conjunção carnal ou a praticar ou permitir que com ele se pratique outro ato libidinoso".

Interessante que muitos estupradores garantem que as vítimas estão gostando, ou querem. Alegam inocência e que são induzidos. Quantas pessoas inocentes e indefesas, não acham?

Existem meninas e meninos que nem tem consciência que viveu uma violência sexual, porque foi um adulto que fez estímulos impróprios nos órgãos genitais, que tocou partes íntimas sem o consentimento dessas vítimas.

No entanto, muitos casos não são tão simples assim, mulheres chegam a perder até seu útero, outras crianças morrem com órgãos dilacerados e o que considero o mais difícil de ser superado e esquecido é o trauma psicológico.

Interfere diretamente em toda a vida emocional da violentada, viver sobre uma sombra do medo, da desconfiança, da angústia, das dúvidas, muitas pessoas até chegam a se culpar, porque os agressores tendem a manipular e chantagear essas pessoas. Infelizmente, muitas vítimas chegam a se suicidar.

Se você já passou por tal violência ou está passando peça socorro, busque a justiça, busque apoio de pessoas que estão por perto, familiares, polícia e terapeutas. Mesmo com todas as dificuldades da nossa justiça, precisamos de apoio e não podemos andar só.

Depois de tantos casos, o sentimento de impotência nos toma, eu como psicóloga, resolvi fazer uma página para que vítimas de estupro possam buscar apoio, com depoimentos de pessoas que já passaram por essa violência e textos voltados para resiliência. Com o único objetivo de dar apoio para que as pessoas conversem, sobre tantos anseios.

Um conselho que te dou, busque ajuda, você não está sozinho (a) nessa caminhada.
  

*Jéssica Amanda Morais Rodrigues é Psicóloga CRP 15/3944 e Colunista do Blog Ferreira Delmiro.

 
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