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quinta-feira, 22 de setembro de 2016

Cunha chama aliados que o traíram de “covardes” e “hipócritas”: “Ninguém quer parlamentar frouxo”


O deputado cassado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) começou a reagir ao isolamento político e passou a atacar os antigos aliados que o apoiavam e, quando ele mais precisou, o abandonaram na reta final da votação que decidiu pela perda do seu mandato, no último dia 12. Em entrevista pelo telefone nesta quarta-feira (21) à Rádio Correio, de João Pessoa, com abrangência a mais de 20 municípios, Cunha chamou os deputados paraibanos Manoel Junior (PMDB), Efraim Filho (DEM) e Aguinaldo Ribeiro (PP) de “covardes” e “hipócritas” por terem decidido de última hora votar por sua cassação. Os três atuaram ao lado de Cunha nos últimos meses, principalmente durante o processo de impeachment que culminou no afastamento definitivo de Dilma Rousseff.

Em uma entrevista de meia hora para aos radialistas Fabiano Gomes, Wellington Farias e Victor Paiva, Eduardo Cunha disse que sua cassação teve a participação do presidente Michel Temer. Segundo a interpretação do ex-deputado, Temer atuou para eleger o novo presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), com o objetivo de cassá-lo.

Quando perguntado se o presidente Temer o teme, Cunha preferiu apontar a “covardia” do governo no seu processo. E desconversou. “Não sou aliado nem adversário de quem quer que seja”, disse Cunha sobre a sua relação atual com o presidente. Cunha voltou a citar Moreira Franco, secretário do governo encarregado do processo de concessões de infraestrutura da União, e disse que o programa do governo “já nasce sob suspeição”.

Covardia aliada

Um dos alvos das críticas de Cunha na entrevista foi o líder do PP na Câmara, Aguinaldo Ribeiro. O ex-deputado do PMDB conta que, na madrugada do dia em que foi cassado, Aguinaldo esteve reunido com ele “fazendo contas” sobre quem estava a favor ou contra a cassação. Magoado com o ex-ministro das Cidades, Cunha o chamou de “hipócrita” e disse ter estranhado o fato de ter sido abandonado pelo aliado na hora da votação. “O eleitor não gosta de deputado covarde. O povo da Paraíba precisa conhecer o deputado Aguinaldo Ribeiro”, disse Cunha.
O deputado cassado disse que o deputado Manoel Junior, candidato a vice na chapa do atual prefeito de João Pessoa, Luciano Cartaxo (PSD), preferiu aderir à maioria por causa da sua campanha. Como este site mostrou no último sábado (17), Manoel foi um dos candidatos que votaram contra Cunha. Foi Manoel, aliás, quem conseguiu a destituição do primeiro relator do caso Cunha no Conselho de Ética da Câmara, Fausto Pinatto (PP-SP).

Eleição

Cunha revelou que “o ambiente político ainda está bastante quente” e que “só a próxima eleição presidencial vai amenizar o momento negativo da política”. Cunha confirmou que está escrevendo um livro, já com o nome provisório de “Impeachment”, a ser lançado em dezembro. A publicação, como ele mesmo anunciou instantes depois da cassação, trará segredos políticos do processo que pôs fim ao seu mandato e ao da então presidente Dilma. “O livro vai ser um best seller”, profetizou.

O peemedebista confirmou que vai recorrer ao Supremo Tribunal Federal para tentar reverter a perda de seu mandato. Ele admitiu erros políticos e voltou a creditar sua cassação à vingança do PT, que perdeu a Presidência da República graças ao impeachment, cuja tramitação na Câmara foi por ele autorizada em 2 de dezembro de 2015.

Reações

O deputado Efraim Filho disse ao Congresso em Foco não saber que Cunha contava com o apoio dele no processo de cassação. “Me surpreendi. O Democratas nunca pertenceu ao ‘centrão’ e não sou parte do grupo de aliados mais amigo dele”, disse Efrain. “Não sabia que ele tinha expectativas sobre o meu voto”, acrescentou.

Os deputados Aguinaldo Ribeiro e Manoel Junior ainda não se pronunciaram.

Duplo réu

Réu em duas ações penais da Operação Lava Jato em curso no Supremo Tribunal Federal (STF), Cunha é acusado de ter mentido aos pares, em 12 de março de 2015, em depoimento espontâneo na CPI da Petrobras – este, o motivo aventado no processo por quebra de decoro parlamentar. Questionado se possuía contas no exterior, Cunha disse que jamais as abriu fora do país, mas autoridades suíças e brasileiras comprovaram o contrário.

O processo de sua cassação foi o mais longo da história da Câmara. Foram mais de nove meses de manobras e muita polêmica, dentro e fora da Casa, até que o processo viesse a ser aprovado no Conselho de Ética. O episódio ficou marcado pela expectativa quanto à escolha da deputada Tia Eron (PRB-BA), considerado o voto de minerva no colegiado.

“Precisam chamar Tia Eron para resolver… Tia Eron está aqui, para resolver o que o os homens sozinhos não conseguiram resolver”, disse a parlamentar baiana na ocasião.



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