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domingo, 2 de agosto de 2015

Fobia social: retrato do medo e isolamento


Por *Jéssica Amanda Morais Rodrigues


Vários autores tendem a analisar a sociedade atual como a “sociedade da ansiedade”. Existem vários motivos que levam a esse diagnóstico, como a competição, coisificação do sujeito, ou seja, tratar uma pessoa como objeto, industrialização (onde a máquina muitas vezes tem mais valor que o sujeito). Logo, todo esse processo de não valorização da harmonia social, consumismo desenfreado, conduzem os sujeitos para uma ansiedade ou fobia social.

Biologicamente sempre existiu a ansiedade como uma forma de manter ativo diante perigo ou situações novas, porém não é natural o excesso de ansiedade.

A fobia social tem como características principais o medo persistente de contatos sociais ou de atuação em público, por temer tais situações os mesmos se embaraçam em seus próprios medos e evitações. A exposição ao contato social produz, invariavelmente, uma ansiedade, desencadeando os sintomas: palpitações, rubor, sudorese, tonturas etc. O sujeito tem ainda medo de comer em público, de andar diante de muita gente, ou seja, todo e qualquer relação de exposição interpessoal.

O aspecto clínico mais contundente do transtorno é seu caráter crônico e a grave interferência que o comportamento fóbico-evitativo no rendimento global da pessoa, seja no trabalho, seja na escola ou relações sociais cotidianas.

Assim, de modo geral, esses pacientes tendem a evitar situações sociais que provocam reações ansiosa desagradável e, por trás dessas evitações surgirá a sensação de alívio da resposta ansiosa, juntamente com sentimento de culpa por não enfrentar o problema. Todo comportamento tem a tendência a repetição, logo é como seguir em frente em um túnel sem fim e ainda sozinho, quanto mais se isola mais crônico se torna o transtorno.

Segundo o DSM-IV o Transtorno de Personalidade por Evitação ou Esquiva, mais conhecido como Fobia Social, segue um padrão de inibição excessiva social, sentimento de inferioridade e hipersensibilidade à avaliação negativa por parte dos outros que tem seu início a partir dos 15 anos e se manifestam em diversos contextos.

A ansiedade mórbida aqui se dá devido ao medo das críticas, da desaprovação ou da rejeição, da sensação em não agradar. Tudo isso resulta na repressão nas relações íntimas devido ao medo de ser envergonhado ou ridicularizado, etc.

Para Fobia Social o DSM-IV sugere os seguintes critérios:

A: Temor persistente e acusado a situações sociais ou a atuações em público por medo de resultar em embaraços.

B: A exposição a esses estímulos produz quase invariavelmente uma resposta imediata de ansiedade.

C: A pessoa reconhece que esse medo é excessivo ou irracional. Obs: Isso pode não acontecer nas crianças.

D: Há evitação das situações sociais ou das atuações em público mesmo que as vezes se possa suportar com extremo temor.

E: Esta evitação ou ansiedade interfere marcantemente na rotina diária da pessoa. 

G: A evitação não se deve a efeitos fisiológicos diretos de uma substância ou de uma enfermidade médica, bem como não pode ser explicada pela presença de outro transtorno mental (ex. Transtorno de Ansiedade de Separação).

A Fobia Social é o segundo Transtorno de Personalidade com mais ocorrência (cerca de 25 %). Logo, as pessoas estão sofrendo no isolamento. Por isso, deve ser identificado e tratado, as suas consequências são para vida toda. Deve seguir um tratamento psicoterápico recorrente.

*Jéssica Amanda Morais Rodrigues é Psicologa e Colunista do Blog Ferreira Delmiro
CRP: 15/3944

 
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