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domingo, 17 de maio de 2015

Bandidos frequentam missas para orquestrar crimes em igrejas


Uma realidade que tem se tornado assustadora quando o assunto é assaltos e agressões. Desta vez, os alvos das ações criminosas são as igrejas da Grande Maceió. Em três meses, seis paróquias foram invadidas por bandidos fortemente armados e dois sacerdotes agredidos violentamente. Eles acreditam na existência de uma quadrilha especializada, que chega a assistir a missas para orquestrar os assaltos. Por incrível que pareça, um dos bandidos estava vestido com a camisa de contendo uma imagem sagrada na prática de um crime.


Tudo aconteceu no último dia 9 e o alvo foi a Igreja Santa Luzia de Siracusa, no município de Santa Luzia do Norte. "Estava na igreja acompanhando a reforma da Sacristia e outras três pessoas ornamentando a imagem de Maria Santíssima para a missa da noite. Chegou um rapaz perguntando pelos pedreiros, voltou para a entrada da igreja e, depois, retornou com outros dois e me renderam, além do outro grupo que ornamentava. Deitamos no chão da Sacristia e eles perguntaram pelo cofre e pela chave da Casa Paroquial. No final das contas, roubaram celular, notebook, TV, aspirador, dois cálices, cerca de quatro mil reais e o carro da igreja, o Polo branco de placa ORE-1921, de Maceió. Ameaçaram a gente de morte e deram coronhadas na minha cabeça e dois socos. Depois fugiram", relatou o pároco Luciano Soares, de 39 anos.


Dias antes, o bando assistiu a uma missa celebrada pela vítima e, no dia do crime, decidiram "conhecer" o padre. "Eles disseram: 'viemos para conhecer o senhor'. Um deles estava com a blusa de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro", reforçou o sacerdote.

De acordo com a Pastoral da Comunicação (Pascom) da Arquidiocese de Maceió, os locais escolhidos pelos criminosos foram as Paróquias Santa Luzia de Siracusa (Tabuleiro do Martins), assaltada em fevereiro; Imaculada Conceição e São João Maria Vianey (Clima Bom I), em março; Senhor Bom Jesus do Bonfim (Viçosa), no mesmo mês; Nossa Senhora das Dores (Santa Lúcia), em abril; São Sebastião (Messias), em maio; e Santa Luzia de Siracusa (Santa Luzia do Norte).


Outro religioso vítima de violência foi o pároco da Igreja de Santa Luzia, em pleno carnaval, também atingido por coronhadas. Já na Igreja de São Sebastião, o padre chegou a ser ameaçado de morte; porém, os bandidos mandaram um recado, avisando que não voltariam mais para matá-lo.


Comissão

O caso chegou a tal ponto que a Comissão de Justiça e Paz precisou agir em defesa dos seus. O coordenador, padre Manoel Henrique, recorreu ao poder público ao tentar uma reunião com o secretário de Estado da Defesa Social, Alfredo Gaspar de Mendonça, a quem os padres vítimas dos assaltos vão relatar os fatos, a fim de que as providências sejam tomadas para coibir a criminalidade no âmbito religioso. O Setor de Inteligência da Polícia Civil investiga a quadrilha e o Conselho Estadual de Segurança (Conseg) também procura alternativas.

Padre Manoel disse que está empenhado para descobrir os motivos que levam aos assaltos, tendo em vista que as paróquias alvos são carentes e, consequentemente, a coleta durante as missas ou os valores do dízimo representam pequenas quantias.

"Vemos a hora de um padre ser assassinado. Não estamos preparados tecnicamente para outros casos, pois todas as paróquias estão vulneráveis pela falta de vigilantes e câmeras de segurança. Queríamos que os bandidos contassem o dinheiro da coleta e tivessem pena. Nosso povo é pobre e a gente não extorque dinheiro de ninguém. O que desejamos, portanto, é defender a sociedade e, não somente, nossos padres", comentou Manoel Henrique, afirmando que a quadrilha é especializada, mas a "Igreja é contra toda e qualquer forma de extermínio".

Nesta segunda-feira (18), uma audiência pública na Assembleia Legislativa (ALE) vai reunir lideranças políticas e religiosas, para discutir a violência contra jovens e negros em Alagoas. "Vamos aproveitar o momento para colocar a situação de nossas igrejas", assinalou Manoel Henrique.


Apesar dos casos registrados na Grande Maceió, a violência não é vista em paróquias do interior do estado, segundo informou a Pastoral da Comunicação.





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